Pegue a solidão e dança

Parece que toda vez que adoeço algo me diz para desacelerar, e eu acabo pisando mais fundo ainda no acelerador. Acho que, para suprir o vazio de não ter a atenção que eu gostaria de ter nesses momentos, acabo me desdobrando para, de fato, não precisar de ninguém.
Sinto como se as coisas que demando não fossem tão urgentes quanto as das outras pessoas. Porque sempre fui a tadinha da história. Ela não ouve, ela é meio desligada, ela não consegue. E, para tentar me desvencilhar dos estigmas que a deficiência imputou em mim, acabo formando uma armadura tão dura e precisa que ninguém reconhece o que sangra em qualquer frestinha, porque, mesmo uma armadura perfeita, precisa de frestas para respirar e se articular.
Eu não sei o que fazer quando dói. Quando eu queria um abraço e não recebo quase nada. Me pergunto se estou no lugar certo, porque geralmente as pessoas recebem aquilo de que precisam. Eu só recebo quando claramente estou desmoronando.
Sinto que não precisava disso para existir.
Queria poder viver na calmaria de ser delicada, de ser preterida, de ser mais tranquila. Mas não consigo e não posso. Minha pele, minha deficiência e minha angústia não permitem.
Que tipo de vida devo viver quando tudo parece estar contra mim, inclusive eu mesma? Qual o custo de aceitar que, se eu quiser algo, terei eu mesma de fazê-lo?
E não há demérito nisso. Só solidão mesmo.


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