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Das coisas que ficam

  • Foto do escritor: Cams
    Cams
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Senti as pernas tremerem um pouco. Devagarinho, tento me erguer da imensa vontade de desistir. Não que eu não acreditasse mais em mim; é que, em algum momento, a vida acaba se movimentando inesperadamente, a ponto de colocar à prova o desejo, a dedicação e o cansaço.

Na balança da vida, eu nunca estive em equilíbrio entre o que quero, sinto, posso e tenho. Não porque eu sonhe para além da realidade, mas porque a realidade é mais hostil que o sonho. Raramente me sinto feliz o suficiente para acreditar que a vida pode ser mais bonita que o sonho. Mas insisto nela porque amo as pessoas que me acompanham.

Embora eu ache, muitas vezes, que elas são gentis demais para me tirar da vida delas.

Nem parece que sou aquela pessoa que escreveu uma prece bonita para desafiar a vida, que insiste em frear os sonhos, os planos e os esforços desenfreados na tentativa de ter algo maior do que possui.

Acho que, toda vez que me barram por algo que não posso ter, por questões práticas, pela minha deficiência ou, apesar de todas as coisas, porque eu realmente sou ruim em algo, começo a questionar meu valor.

Perco o sono, choro, pesquiso qual é a melhor medicação que me dope o suficiente para cumprir as obrigações e tento fugir dos pensamentos intrusivos. Raramente me sinto capaz. Passei a vida toda sendo poupada de existir em plenitude: “tadinha, ela não ouve”. E acabei acreditando que não podia alçar voos maiores do que aquilo que tinha.

Quando a vida me dá rasteiras, tendo a ficar por muito tempo no chão. Embora eu siga sonhando, acreditando e oscilando entre querer e poder. A vida, de fato, não é para sonhadores. Existir no mundo é ter a praticidade de não sentir muita coisa. Mas eu não sou assim.

Sei que vou passar a vida tendo recaídas. Me recuso a desistir, mas vou chorar pelo caminho. Não importa o que seja, vou pausar um pouco, me permito sentir tudo de ruim que sinto e, depois, me levantar.


Eu posso não ser a melhor pessoa, a primeira em quem meus amigos pensam, a mais elogiada pela família ou o modelo de ser humano. Mas tento não falhar comigo mesma.


 
 
 

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