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Amizade salva vidas

Foto do escritor: Cams
Cams
28 de jul.
2 min de leitura


Esses dias, passando por alguns problemas de autoestima e interpessoais relacionados à minha deficiência, li uma frase no Instagram que diz: "Cultivar mais quem te rega do que quem te poda", da designer Tani Gomes (@tanidetanise); e essa citação ficou ecoando na minha cabeça por dias.

            Eu estava vivendo o luto de compreender que alguns lugares, por mais que eu amasse estar neles e amasse as pessoas, eu não poderia ser eu mesma, por infinitas razões que entendia bem, mas não queria aceitar. Porém, já era hora.

            Foi quando saí para comemorar o aniversário de uma amiga que descobri qual era realmente o problema. Entendi que não havia peso algum em estar onde se é desejado, acolhido e aceito. Sem problema nenhum em ser escandalosamente exagerada, engraçada e ter um humor duvidoso.

            Fui contar um causo para elas e perguntei se estava falando alto demais. Elas responderam que não, mas que, mesmo se estivesse, qual seria o problema? Estávamos em um bar, com música alta; eu sou surda, e é totalmente compreensível e esperado que eu fosse falar gritando com todos aqueles estímulos. Confesso que fiquei meio chorosa, mas segurei as lágrimas em nome da fofoca quentinha.

            Percebi que é libertador estar onde se pode ser estranha sem medo e sem precisar justificar que a deficiência me faz perder o controle, vez ou outra, do volume da minha voz. Porque minhas amigas simplesmente não ligam para o fato de que eu estou falando além da conta; afinal, todas nós estamos.

            Muitas vezes, as pessoas que nos amam não entendem quem somos, principalmente a família nuclear, que tende a envolver seus preconceitos na forma como nos enxerga, orbita o mundo e existe por si. É muito importante que a gente se lembre-se de que, por maior que seja o amor por eles, temos a escolha de não aceitar os rótulos que nos colocam, as caixinhas em que nos envolvem. Podemos decidir onde, como e quando exercer nosso direito de sermos ridiculamente bobos, escandalosos e esquisitos, porque sim.

Não tem nada de errado em ser quem se é. É preciso encontrar onde é possível ser estranha sem precisar pedir licença.

 
 
 

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