Sobre a vida do casal com filhos


Tudo parece que vai acabar com a chegada do bebê, mas não vai. Fique tranquila! Bom, ao menos se seu parceiro estiver sendo participativo, igualmente exausto e privado de sono, tanto quanto você.
Nesse caso, tudo vai ficar bem.
A vida a dois inevitavelmente fica em segundo plano quando um filho chega. Não tem jeito. O casal entra em modo sobrevivência, tentando manter mais uma pessoa, além de si, viva, saudável, alimentada, sem chorar e... a mimir.
As demandas do dia a dia acabam consumindo o corpo inteiro. O desejo de um abraço perde espaço para um cochilo no sofá, para um banho sozinho de dez minutinhos (pelo amor de Deus) ou para uma caminhada na pracinha.
Já não há tanto tempo para chamego, romance ou qualquer outra coisa. E, por um tempo, a gente acaba mesmo virando colegas de casa, olhando um para o outro com ternura e admiração pelo trabalho exaustivo que cada um tenta administrar ao cuidar da criança linda e meiga que colocaram juntos no mundo.
Mesmo quando não há tempo, espaço, motivação ou energia para o carinho físico de casalzinho, o casamento pode atravessar essa fase. Ele sobrevive quando o trabalho do cuidado é bem dividido, quando a carga mental é minimamente equilibrada. A gente sabe que, nos primeiros anos, a carga materna costuma ser infinitamente maior, por muitos motivos. Ainda assim, o pai pode aliviar esse peso, assumindo responsabilidades com presença, esforço e cuidado.
A gente acaba não sentindo tanta falta um do outro no meio da confusão do dia a dia. É tanto sufoco, tanto apavoro no cuidado de uma criança, que a gente acaba esquecendo de nós mesmos. Mas isso passa.
A criança cresce, demanda cada vez menos, e a gente reaprende a viver. Reaprende a gostar de si, a reconhecer o parceiro e acaba, inevitavelmente, amando ainda mais aquela pessoa nova que encontrou depois de todo o caos.
Bem, ao menos foi assim comigo.
Eu reencontrei um amor e uma admiração profundos pelo meu parceiro. Algumas qualidades surgiram nele justamente depois do nascimento da nossa filha; outras afloraram com a coragem de se tornar pai.
Há algo muito bonito na transformação que acontece antes e depois dos filhos.
Mas isso depende, sobretudo, da forma como o casal decide atravessar o furacão.

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