Autoestima
- Cams

- 12 de jul.
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Será que algum dia eu vou me amar exatamente como estou?
Digo, me amar como estou, porque tudo depende do agora. Eu já fui várias coisas no passado e quando estava lá, minha cabeça também não me permitia ver muita coisa. E hoje percebo uma grandeza e uma saudade de ser aquela, mas eu não me achava nada demais, quando estava ali.
É engraçado como as coisas funcionam. Nunca estamos satisfeitos com o que somos no agora e sentimos saudades de nós, no futuro.
Eu bem quero sentir saudades de mim do agora.
Eu não sei exatamente como me sinto, hoje. Talvez amanhã vá saber dizer melhor.
Mas a sensação é de estar fazendo o melhor que eu posso, tentando gostar do meu cabelo crespo, que fui ensinada a odiar com todas a forças, porque minha filha também o tem. Lutando para parar de me ferir na frente dela, tenho tiques ansiosos e fico unhando minhas feridas já abertas e as vezes ela acaba imitando.
Me esforço para não fazer comentários autodepreciativos, que se tornaram minha principal ferramenta, formadora da minha persona pública. Afinal, não quero que ela ache que precisa dizer que é pouco, para que as pessoas fiquem mais confortáveis.
Muito já fizemos para o conforto das pessoas, que acabaram nos destruindo, pouco a pouco.
Quero que ela seja tão confiante no futuro, quanto é agora.
Fico repetindo isso em terapia e acabo sendo repreendida com frequência por Dona Maresia, minha psicóloga: “sim, você pode fazer isso pela sua filha. Mas, por que não se ama por si mesma? Você também merece o amor que oferece e ensina”.



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