Eu não quero falar só sobre ser mãe
- Cams

- 12 de jul.
- 2 min de leitura
A maternidade engole uma boa parte do que a gente é, ao menos tem sido assim para mim. Não há um dia se quer, que eu não acorde ou vá dormir sem pensar em todo o trabalho do cuidado que envolve manter minha filha viva, a casa funcionando e afins. Mas quero pensar em outras coisas.
Desejo humildemente sair da skin mãe e ser mais do que isso. Porque pai pode ser qualquer coisa além de pai, a paternidade não consome a existência como consome a de uma mãe. A culpa que é instalada na gente assim que a criança chega é surpreendente e inevitável.
Eu não quero me sentir culpada por sair com as minhas amigas e deixar minha filha sendo cuidada pelo pai, ou pelos avós, ao qual confio de olhos fechados. Eu sou a mãe, mas não sou a única cuidadora dela.
Não preciso sentir que a estou abandonando, quando saio para me divertir sem ela. A gente se diverte muito, quando estamos juntas, sempre invento um milhão de coisas para fazer que possa lhes dar memórias incríveis, como as que meus pais me deram quando criança.
Quero que ela saiba que não parei de viver porque ela existe. Muito pelo contrário, eu vivo e me esforço para ser uma pessoa feliz, justamente para que ela aprenda a viver nesse mundo para além das pessoas que ela ama.
Porque ser gentil com a gente mesmo, também é uma forma de amar outras pessoas.
Quero muito que ela me veja sonhar meus próprios sonhos, fazer ter meus próprios amigos, projetos, planos para que ao envelhecer, que minha vida tenha outro propósito que não seja cuidar dela.
Eu a amo, mas eu também sou minha.



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