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Pós – parto

Foto do escritor: Cams
Cams
12 de jul.
2 min de leitura

Não conheço nenhum humano que deixe de avisar à uma criança, que não pode se aproximar de um bicho que acabou de ter filhotes. Tenho lembranças claras de advertências para não me aproximar muito, tampouco pegar e/ou levar para longe o filhote que acabou de nascer.

   Mas comigo adulta, humanos tentaram fazer exatamente isso comigo.

  Me convenceram, ao menos acharam que o fizeram. Que eu estava enlouquecendo, me tornando um animal superprotetor. Que eu deveria ser mais racional.

            Mas, o me diferencia da cadela que late e morde quando querem tirar o filhote de perto é que eu sei falar não. Eu sabia, sentia que precisava e achava que assim como respeitavam a natureza sábia que diz não retirar o filhote de perto da sua mãe, fariam o mesmo por mim.

            Ignoraram a natureza que me permitiu gerar por 10 meses o bebê mais lindo do mundo, que demorou 36 horas para nascer e nasceu de um jeito que eu não tinha sonhado como nascimento. Não veio primeiro para mim, embora eu tenha ficado um tempo considerável com meu filhote no peito, assim que saiu de dentro de mim.

            Como um animal racional, que esperam que humanos sejam, o não que senti necessidade de dizer pareceu ser mais feio que um latido ou mordida. Ensanguentou famílias inteiras. Tudo porque uma mãe queria conhecer seu filhote com calma.

            Não havia nada de errado comigo, por não ter deixado as pessoas pegarem minha filha logo que nasceu. Pessoas que não me tratavam bem, que não falavam comigo com gentileza, que sentia no coração que não confiava. Também não permiti as pessoas que eu amava fazerem o mesmo. Eu precisava conhecer aquela criança que esteve em mim por tempo suficiente para gente sentir dores, porque pesa. Para gente sentir um vazio, quando sai, porque deixa de pesar no corpo e toma conta de toda a vida para além da minha.

            Ninguém precisava entender o que estava acontecendo comigo. Mas, poderiam ter mantido o protocolo que se faz em natureza, quando todo mundo olha a leoa lambendo seu leãozinho que acabou de sair, de uma distância segura. Até que ela entenda que não é mais só dela.

 
 
 

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